domingo, 13 de janeiro de 2008

Dúvida

São 6h25 da manhã, estou acordado desde a tarde de ontem. Não consegui dormir, apesar de estar com sono e bocejando. Para tentar dormir bem de domingo pra segunda, não dormirei até lá.
Mas isso não foi o motivo pelo qual vim até aqui no blog. Estou aqui pois tenho notado algumas mudanças, e não saber o real motivo me incomoda.

Pois bem, antes de chegar onde eu pretendo, quero montar o pano de fundo e ilustrar algumas coisas. Como não consegui dormir e não há um único programa que preste passando nesta madrugada, resolvi assistir House M.D., um seriado veiculado no Brasil pelo Universal Channel (que por sinal não consta na grade da minha operadora de TV por assinatura) que conheci a algum tempo e se trata de um médico, cuja especialidade é diagnosticar doenças, e sua maior dificuldade é o relacionamento interpessoal. Filosoficamente, o Dr. Gregory House vivido pelo ator Hugh Laurie é uma alegoria de Nietzsche, fato que o torna ainda mais interessante.

Assistindo os episódios (já assisti no passado recente alguns deles randomicamente) desde o primeiro, o clima de hospital que já me é familiar me fez pensar em alguns aspectos do meu trabalho, da relação terapeuta-paciente, terapeuta-família e família-paciente. A forma em que se passa a notícia e a situação real de cada paciente. Será que é justo dizer a verdade? Ou será justo não dizer a verdade?
Os aspectos legais fazem a escolha por nós, que somos obrigados a relatar ao paciente ou sua família, quando é de vontade do próprio paciente ou quando este não tem condições de responder por si. Mas humanamente, seria melhor dar uma chance de esperança quando o caso é complicado? Ou seria mais humano preparar para o pior?
Se eu estivesse na situação, acredito que gostaria de saber, para poder ficar preparado. Tem sido assim a minha vida até agora. Reagi sempre melhor quando sabia o que esperar.

Mas não foi nada disso também que me trouxe aqui hoje. Assistindo um episódio em especial, o episódio 4 da primeira temporada chamado "Maternity", fiquei um pouco emocionado com a morte de um dos bebês doentes, e também quando os pais do outro bebê o levantam sob a desculpa da Dr. Cameron (linda por sinal) de precisar de ajuda para trocarem os lençóis.
A não ser em casos BEM específicos, eu não costumo me emocionar com esse tipo de coisa, não que seja bom ou ruim, apenas não é o meu costume.

Em contrapartida, na vida real, quando dentro do hospital, acredito que esteja ficando cada vez mais frio, menos sensível de uma certa forma, por não me sentir tão afetado pela situação dos pacientes. Ao menos, isso era o que eu pensava até escrever essas últimas palavras. Penso agora que a sensibilidade que descrevi acima pode ser por conta da 'insensibilidade' quando dentro do hospital.

Realmente não sei, mas precisava colocar isso pra fora. Espero que possam me ajudar com isso.

Um comentário:

Nerickson disse...

Putz... realmente complicado tudo isso, Lucas.

Não digo que você esteja mais insensível para essas coisas. Mas sim que você está ficando tão acostumado com isso que já não pensa com a emoção no momento, e sim com a razão. Mas depois de sair daquele ambiente carregado, você volta ao seu estado normal, e volta a pensar com a emoção. Você pode ficar indiferente com isso por ver as outras pessoas também indiferentes. Mas isso não te deixa como os outros. Talvez os outros sejam também como você, mas sabem que no local de trabalho eles tem que tomar uma postura séria e sem emoção.

Você sabe que eu não entendo disso, mas é essa a minha opinião. Mas não sei como é a realidade aí.

Abração Lucas!